Sabe quando nossos olhares se cruzam e nós dois fugimos disso? Olhamos para outro lado e negamos que isso possa acontecer. Eu sei como você se sente.
Sabe quando você sente falta de uma companhia para tomar milk shake de leite ninho em uma tarde qualquer e emendar a tarde em uma noite inteira juntos?
E quando acontece de passar de carro ou caminhando na região dos lagos? Como você se sente? Eu sinto um aperto no peito. Aperto esse que se transforma em lágrimas quando olho o gramado que nos deitamos para olhar as estrelas.
Esses fatos já vem acontecendo há tempos. Desde nossa briga, em agosto de dois mil e treze, um nó se instala na minha garganta toda vez que acontece algo assim, ou quando eu releio suas cartas, ou quando vejo sua foto 3x4 que ainda está em minha carteira.
Quando eu soube que você estava doente eu chorei o dia todo e me culpei por tudo de ruim que estava acontecendo com você. Fiz prece, coloquei seu nome na intenção de oratório da missa - bem na missa daquela igreja que você me dizia ir quando criança -, acendi duas velas e fui até você no hospital. Aquele dia tive uma imensa vontade de te pedir perdão e te contar toda a verdade dos fatos passados, justificar todos os meus atos mesmo que não valesse de nada. Mas não pude. Não queria causar mais dor te fazendo lembrar do passado. Pra mim valeu a pena somente ficar ao seu lado calada, ouvindo você falar com outra pessoa.
Fiz questão de te falar da Mariana e dizer que ela te mandou um abraço. Sabia que você ficaria feliz. Fiz questão de ir até você, mesmo correndo o risco de você me expulsar, mesmo arriscando sua namorada a brigar comigo e mesmo tendo eu chorado a noite inteira durante os shows da Festa do Peão ao lado do meu namorado e ele sabendo o motivo de tanto choro.
Não foi por mal. Eu juro. Foi por bem. Meu e seu. Queria te ver, saber de você, queria limpar seu coração de mágoa em relação a mim. Queria pedir um abraço. Mas não consegui.
Contentei-me com um "Obrigado, de verdade, por ter vindo. Obrigado mesmo." e também com o fato de você ter na sua playlist uma música que eu te mandei. Contentei-me em saber que você ainda é o mesmo, que ainda é a pessoa que eu sempre admirei.
O que eu não me contentei foi que na semana seguinte nos olhamos e não nos cumprimentamos. E na outra, já não nos olhamos. E a partir daí voltamos a nos tratar como desconhecidos. Eu não queria isso! Eu daria tudo para poder te olhar, te cumprimentar, contar como foi meu dia e você me abraçar. Não é possível que nosso laço tenha se desfeito tanto! Apesar de tudo, éramos amigos. Apesar de tudo, éramos parecidos. Eu passei acreditar em alma gêmea e em anjos por causa de você! Não é possível que isso tudo tenha acabado. Não é possível que eu ter abaixado meu orgulho e ido te ver não possa modificar nada na nossa relação fria que já perdura por um ano e meio.
Eu não consigo mais viver assim. Longe de você e tão longe de mim.