domingo, 1 de outubro de 2023

Sobre(natural) afeto

 Hoje escrevo de uma temática um tanto diferente das passadas. Hoje escrevo sobre um afeto sobrenatural.

 Há algo conectivo nas nossas vidas e arrisco a dizer que tem a ver com vidas passadas ou algo do campo espiritual. Uma amizade que surgiu na minha vida em 2022 por meio da residência e que, desde o primeiro minuto, admirei imensamente. Sábia, desenvolta, racional, mas sem se perder da criatividade que lhe é peculiar. 

 Júlia Coragem. 

Nos aproximamos por meu interesse em Gastão Wagner, que só ela conhecia; admirei-a profissionalmente pelo mestrado na Unicamp e por seu jeito incentivador de me ajudar a dar novos passos. Mas posso dizer que fomos conectadas só a partir da viagem à Fortaleza. 

 Dividimos um quarto. Dividimos muito das nossas vidas. 

 Experienciamos juntas oficinas de orientação parental e falamos sobre os nossos pais. E, quatro dias depois de voltarmos da viagem, há o falecimento abrupto do seu pai. 
 Repentina como uma estrela cadente. 
 Não sei dizer se isso tem algum significado, mas posso afirmar que o seu afeto à ele ficou gravado em mim também. Não esquecerei de você dizendo "se hoje sou questionadora assim, é porque meu pai nunca interrompeu meus questionamentos". E eu sei compreender bem: hoje você é mestranda e isso é por ele. 
Também sei compreender que em Júlia tem Laércio. E em Bárbara tem Júlia, logo, também tem Laércio. 
Quando soube do óbito senti, em mim também, uma perda. 
 Sinta-se abraçada, "Julinha". Que essa sua dor seja ressignificada o mais breve possível. 
 Tenha certeza de que Laércio cumpriu sua tarefa por aqui: ele tem uma das filhas mais corajosas, amáveis e humanas do mundo.

domingo, 22 de setembro de 2019

Um desses encontros casuais.

“Um dia desses num desses encontros casuais talvez a gente se encontre. Talvez a gente encontre explicação.”


   Muitas vezes tentei entender sobre o destino e os encontros. Ou a falta deles. O próprio distanciamento das pessoas. Mas não. Infelizmente somos muito pequenos pra entender de casualidades e desígnios. Mesmo assim arrisco a responsabilizar os astros, anjos, Deus e tudo o que há de místico e humanamente incompreensível. 
   Os motivos não saberemos, no entanto, pelo menos, podemos sentir o prazer (ou desconforto, a depender) que tais encontros nos causam. Tais desígnios. Seria interessante ainda se pudéssemos reter a sensação de quem nos encontra também. Eu gostaria muito de saber se o acaso se fez da mesma forma para ambos. Outra coisa que deve ser misteriosa só para dar graça ao destino, ainda mais.
     O destino brinca bastante conosco. Levo isso, hoje, de uma forma mais leve, até porque se há algo de sobrenatural certamente é algo de Deus (quiçá dos anjos que Ele coloca à nossa disposição). E vindo dEle não pode ser para ferir ou para trazer sentimentos ruins, mas para nos guiar de alguma forma.
      Por mais que tente teorizar só Ele sabe. E lá no fundo nos deixa uma questão em aberto.

terça-feira, 5 de dezembro de 2017

Naufragar ou desbravar?

Chega um momento em nossas vidas que precisamos partir sem rumo ou naufragamos. Acho que cheguei nesse marco. O marco da "quebra de correntes", o momento em que ou você clampeia seu próprio cordão umbilical ou você ficará estagnado em meio à uma ilha de conforto e comodidade.
Por mais cômoda que seja a ilha, ainda assim é uma ilha. Sem muito mais o que se esperar dela.


Zona de conforto. 


É dela que eu quero me livrar.


Sem olhar para trás, sem olhar para quem não me acompanhar, sem olhar para o passado com saudosismo. Quero o presente do presente. Quero fazer da contagem dos meus 360 dias algo mágico, algo desbravador. Dia após dia. Evolução após evolução. 
E calem-se dessa bobagem de desrespeitar a vida alheia! Cada um sabe de si. Todos erram. Eu errei em colocar sempre a opinião e sentimento dos outros acima das minhas próprias opiniões e sentimentos. Errei em ser tola e contar sobre todos os meus planos, sentimentos dos mais momentâneos e confidenciar coisas para quem eu julgava ser amigo. 

Amigos todos são. Até que você não seja melhor (reconhecido, admirado...) que ele.


Não tem escapatória. Se o mal do século é a liquidez das coisas, é desse mal que temos que nos aproveitar e moldar nossa própria trajetória. 
Não me julgo líquida. Mas se todos ao meu redor o são, deixo-os a mercê de minha ausência e sigo meu rumo ao encanto do auto-conhecimento, amor-próprio, solidão aconchegante e me delicio com a minha própria companhia.

sexta-feira, 6 de março de 2015

Uma luz no fim do túnel.

                    "You don't need to be great to start. You just need to start to be great."


 Hoje esse texto é basicamente sobre mim e meus auto-julgamentos. Eu não sei definir o que me fez ter vontade de crescer, de deixar de lado a vida sem um propósito para me encontrar. 

 Não, eu ainda não me encontrei. Mas estou procurando. Vasculho desde os mínimos lugares, como um rodapé de livro de Medicina Interna, até os macro, como olhar para o céu e tentar se achar em alguma daquelas estrelas. Não, não é prepotência. É busca.

 A vida que eu vivia não era minha. Não era de ninguém. Estava jogada ao acaso a procura de um dono. O que me fez mudar? Tragédias. Algumas. Mortes de pessoas queridas no fim do ano, que sempre admirei. Acho que tive vontade de me apropriar um pouco de seus ideais e ambições. 
Mas também o amor teve parte fundamental nessa mudança. O amor pelas pessoas que marcam presença na minha vida e que acreditam em mim. Triste era saber que apenas elas acreditavam, porque eu não pensava da mesma forma. 

 E sabe onde eu tenho me encontrado? Em uma receita nova que aprendi semana passada e a testei hoje (Eu, que sempre me desprezava na cozinha). Numa página de nefrologia que me prendeu a atenção (Justo eu, que achava que nada na medicina me interessava além de patologia). Num passeio de carro sem acompanhante, às 18 horas de uma terça-feira (Eu adoro dirigir e não sabia! Adoro a sensação de poder dirigir sem destino, nem que seja num caminho conhecido). Em um perfume que posso ter desgostado, mas que pelo menos arrisquei prová-lo e me posicionei a respeito de suas notas.

 Sabe de uma coisa? A questão é essa: Arriscar-se

 Que venham críticas, que venham elogios, que venham simpatizantes ou opositores. Mas que venham! Ficar à mercê de sua própria vida é terrível. Eu quero protagonizá-la.


domingo, 2 de novembro de 2014

Só você vai saber.

  Sabe quando nossos olhares se cruzam e nós dois fugimos disso? Olhamos para outro lado e negamos que isso possa acontecer. Eu sei como você se sente.

 Sabe quando você sente falta de uma companhia para tomar milk shake de leite ninho em uma tarde qualquer e emendar a tarde em uma noite inteira juntos? 

  E quando acontece de passar de carro ou caminhando na região dos lagos? Como você se sente? Eu sinto um aperto no peito. Aperto esse que se transforma em lágrimas quando olho o gramado que nos deitamos para olhar as estrelas.

  Esses fatos já vem acontecendo há tempos. Desde nossa briga, em agosto de dois mil e treze, um nó se instala na minha garganta toda vez que acontece algo assim, ou quando eu releio suas cartas, ou quando vejo sua foto 3x4 que ainda está em minha carteira.
  Quando eu soube que você estava doente eu chorei o dia todo e me culpei por tudo de ruim que estava acontecendo com você. Fiz prece, coloquei seu nome na intenção de oratório da missa - bem na missa daquela igreja que você me dizia ir quando criança -, acendi duas velas e fui até você no hospital. Aquele dia tive uma imensa vontade de te pedir perdão e te contar toda a verdade dos fatos passados, justificar todos os meus atos mesmo que não valesse de nada. Mas não pude. Não queria causar mais dor te fazendo lembrar do passado. Pra mim valeu a pena somente ficar ao seu lado calada, ouvindo você falar com outra pessoa. 
  Fiz questão de te falar da Mariana e dizer que ela te mandou um abraço. Sabia que você ficaria feliz. Fiz questão de ir até você, mesmo correndo o risco de você me expulsar, mesmo arriscando sua namorada a brigar comigo e mesmo tendo eu chorado a noite inteira durante os shows da Festa do Peão ao lado do meu namorado e ele sabendo o motivo de tanto choro. 
 Não foi por mal. Eu juro. Foi por bem. Meu e seu. Queria te ver, saber de você, queria limpar seu coração de mágoa em relação a mim. Queria pedir um abraço. Mas não consegui.
 Contentei-me com um "Obrigado, de verdade, por ter vindo. Obrigado mesmo." e também com o fato de você ter na sua playlist uma música que eu te mandei. Contentei-me em saber que você ainda é o mesmo, que ainda é a pessoa que eu sempre admirei.

  O que eu não me contentei foi que na semana seguinte nos olhamos e não nos cumprimentamos. E na outra, já não nos olhamos. E a partir daí voltamos a nos tratar como desconhecidos. Eu não queria isso! Eu daria tudo para poder te olhar, te cumprimentar, contar como foi meu dia e você me abraçar. Não é possível que nosso laço tenha se desfeito tanto! Apesar de tudo, éramos amigos. Apesar de tudo, éramos parecidos. Eu passei acreditar em alma gêmea e em anjos por causa de você! Não é possível que isso tudo tenha acabado. Não é possível que eu ter abaixado meu orgulho e ido te ver não possa modificar nada na nossa relação fria que já perdura por um ano e meio.

 Eu não consigo mais viver assim. Longe de você e tão longe de mim. 

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

(500) coisas que aprendi com ela

    


  O título desse texto começa exagerando. Não é possível que um longa metragem tenha me ensinado tanta coisa assim em tão pouco tempo. Nem a excelência da atuação de Zooey Deschanel e Joseph Gordon-Levitt , nem a trilha sonora impecável com Carla Bruni e The Smiths, muito menos a fotografia individual e bem construída dos momentos do anti-casal poderiam me ensinar 500 coisas tão rapidamente.
    Por isso mesmo explico que o título não se atribui ao filme em si, mas sim à personagem Summer. Como toda mulher, ela mostra o retrato de uma geração que se perde entre as vontades, as necessidades, o acaso e as conseqüências disso tudo.
    Summer é uma mistura de tudo o que se pode esperar da mulher-ícone de uma geração alimentada pela cultura pop – e me recuso a restringir a sua influência apenas à cultura britânica, visto que ela possui traços identificáveis em várias partes do mundo e com origens na cultura norte-americana dos “happy endings” também. Ela traz a beleza não-tão-comum da maioria das belas do cinema, mostrando que franjas e rostos angelicais podem ser pivôs de grandes romances sem necessariamente seguirem padrões Hollywoodianos.
    Saindo dessa rápida descrição da personagem em si, vamos ao que interessa. Ela nos ensina muito em matéria de expectativas e comportamento. O primeiro ponto é sobre a forma como lidamos com um acaso. Se parar pra pensar, você está diante da mulher que reúne em si todas as qualidades e características que você sempre quis. Além de ter um gosto musical extremamente compatível com o seu – o que é muito importante. Qual seria a expectativa óbvia desse cruzamento de informações? Exatamente, meu amigo. Você se apaixona perdidamente por ela.
     À primeira vista, nada mais comum que isso. O grave problema é como lidar com uma mulher que faz parte do time das que se dizem desiludidas e não acreditam em relacionamentos depois que você já se apaixonou por ela. O que você pensa? Você pensa naquela famosa frase de esperança de todo homem que se apaixona por uma “loveless”: Comigo pode ser diferente.
     E pronto. O estrago está feito. Na história, Tom Hansen consegue iniciar um relacionamento com a mulher mais interessante do mundo para ele. E, com um senso deturpado e idealizado da noção de amor – influência da cultura dos “happy endings”, sem dúvida – se vê num labirinto. Ao mesmo tempo em que gosta dela e não quer perdê-la, ele não aceita a falta de status num relacionamento.
     Daí vem outro ponto alto que aprendi com ela: A necessidade de etapas num relacionamento está altamente ligada à sensação de segurança. Temos a idéia geral de que cada etapa implica em regras de convivência com direitos e deveres pré-estabelecidos. Não chamaria isto de problema, mas essa noção social que temos transforma o que poderia ser um romance passageiro tranqüilo num jogo de expectativas e frustrações. E Summer, mostrando que a sinceridade pode ser interpretada por crueldade num relacionamento em que não se está disponível, quebra a segurança a todo o tempo por não estabelecer status. Essa idéia de liberdade das “loveless” é algo magnífico. Para elas, é claro. Para os que se envolvem com elas, isso significa muita dor de cabeça e muito uísque.
     E quando tudo vai bem, de repente, o mundo de Tom Hansen acaba. Isso seria crueldade da sua linda Summer? Acredito que não. Como disse antes, havia sinceridade. Mas sempre se espera que “comigo seja diferente”. E, quando não é, a primeira reação é focalizar toda a culpa nela. Nos seus dentes perfeitos, nos seus lindos olhos azuis, no seu gosto musical peculiar, no modo como ela fala e anda…
      Depois de vários dias ainda amarrado a Summer e caindo aos pedaços, Tom entra na segunda fase do filme – que poderia ser um romance qualquer desses de fotografia bonita. Summer, a desiludida, já está em outra história, pronta para casar, pouco depois do término. E o que isso me ensina? (Que ela é uma filha da puta do cacete). Que nem sempre o que você sempre quis é o melhor para você. Ela era o melhor para outra pessoa e vice-versa. E que querer demais não é culpa sua. Mas deve-se aceitar o fato de que um verão inteiro é demais para se carregar sozinho quando ele não é para você…
       Basicamente, todos já tivemos alguma Summer em nossas vidas. Seja pela sinceridade com que ela tratava as coisas, pela desilusão em saber que não éramos o cara diferente para ela, pela dificuldade em aceitar que ela pudesse ser de outro ou pelo simples fato de não conseguirmos nos acertar com as proposições dela. Summer não é aquela guria que sacaneou legal o guri apaixonado. É aquela que tinha certeza de nada, pegou sua mão pelo caminho, gostou de ficar por um tempo, mas continuou a seguir. Ela parou, é claro. Não foi ao seu lado, mas parou. E essa foi a grande lição para mim: As Summers da vida conseguem achar repouso em alguns braços. E é isso que motiva.
        De resto, paixão idealizada, filmes de final feliz, acreditar que o amor é produto do acaso e a necessidade de segurança quando se tem alguém do lado servem para rever os meus conceitos. Aliás, recomendo que façam o mesmo. Talvez você não precise de uma primavera para fazer durar a estação.

sábado, 6 de abril de 2013

Introspecção

Tem jeito, sim. Sabemos que sou impulsiva e tantos outros adjetivos que caracterizam uma pessoa volátil e impaciente. Perdão. Não deixo meu orgulho de lado e tento ser breve ao conversar com você, sem olhar nos seus olhos, por medo de escapar de dentro de mim as lágrimas que há tanto venho escondendo da vista de todos. Pode parecer frieza, mas é ânsia de não demonstrar fragilidade.
Você sabe que tem jeito. E que não esqueci todos os nossos momentos, a nossa essência. Se não sabe, estou dizendo agora. Não esqueci. Nunca vou esquecer. É impossível. Foi lindo, sim, mas eu não quis sair da minha zona de segurança. Não quis tirar os pés do chão e ter a chance de viver algo mais lindo ainda.

Vamos deixar passar um tempo, curto, por favor, até a poeira baixar pra voltarmos a falar ''desse assunto de novo'' sem nos machucarmos completamente. Era só isso que queria.
Ontem fui várias vezes tentar conversar com você e quem mostrou que não queria que as pessoas vissem foi você. No fim, fiquei sentada sozinha na cantina. Ao ir embora dei tchau à todos, mas apenas um me respondeu. Um pouco antes me questionei por quê você agradecera o José Mauro. Devo ter criado conspirações na minha cabeça nesse momento.

Obrigada por tentar me entender em todas as horas, até mesmo quando você não entende de jeito nenhum. Te admiro. Quero ser assim um dia.

Tomei uma atitude hoje chegando em Catanduva, antes mesmo de ler seu texto e já com a ideia na cabeça logo depois da minha conversa com você, para acabar de vez com o falatório, com um pouco de sua dor, mesmo que ela demore a passar e com a minha ira: Disse a ele que bastava. Que não aguentava mais tanto falatório e que, apesar de gostar muito dele, tudo isso estava prejudicando tanto ele quanto a mim. Ele entendeu perfeitamente bem. Realmente, tudo isso também prejudicou a paz da vida dele como prejudicou a nossa.
Quanto à você... desejo que encontre a mulher dos seus sonhos, sua ''Autumn''. Que esteja disposta a pular com você. Eu nunca saberei se estarei disposta a fazer isso com e por alguém. Desejo que você cuide bem dela, seja quem ela for, seja da forma que for.

Ninguém vai cuidar de mim. Vou tentar cuidar de mim sozinha, mesmo que sempre desastrosa nisso. Vou guardar mágoas, rancores, raivas, fúrias, choros, alegrias, vontades para mim mesma. Vou ser como um fantasma, aquela que ninguém nunca mais vai ouvir falar. Quero a calmaria, mesmo que para isso eu permaneça completamente sozinha chorando embaixo do chuveiro uma dor que ninguém entende.