Hoje esse texto é basicamente sobre mim e meus auto-julgamentos. Eu não sei definir o que me fez ter vontade de crescer, de deixar de lado a vida sem um propósito para me encontrar.
Não, eu ainda não me encontrei. Mas estou procurando. Vasculho desde os mínimos lugares, como um rodapé de livro de Medicina Interna, até os macro, como olhar para o céu e tentar se achar em alguma daquelas estrelas. Não, não é prepotência. É busca.
A vida que eu vivia não era minha. Não era de ninguém. Estava jogada ao acaso a procura de um dono. O que me fez mudar? Tragédias. Algumas. Mortes de pessoas queridas no fim do ano, que sempre admirei. Acho que tive vontade de me apropriar um pouco de seus ideais e ambições.
Mas também o amor teve parte fundamental nessa mudança. O amor pelas pessoas que marcam presença na minha vida e que acreditam em mim. Triste era saber que apenas elas acreditavam, porque eu não pensava da mesma forma.
E sabe onde eu tenho me encontrado? Em uma receita nova que aprendi semana passada e a testei hoje (Eu, que sempre me desprezava na cozinha). Numa página de nefrologia que me prendeu a atenção (Justo eu, que achava que nada na medicina me interessava além de patologia). Num passeio de carro sem acompanhante, às 18 horas de uma terça-feira (Eu adoro dirigir e não sabia! Adoro a sensação de poder dirigir sem destino, nem que seja num caminho conhecido). Em um perfume que posso ter desgostado, mas que pelo menos arrisquei prová-lo e me posicionei a respeito de suas notas.
Sabe de uma coisa? A questão é essa: Arriscar-se.
Que venham críticas, que venham elogios, que venham simpatizantes ou opositores. Mas que venham! Ficar à mercê de sua própria vida é terrível. Eu quero protagonizá-la.
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