Há algo conectivo nas nossas vidas e arrisco a dizer que tem a ver com vidas passadas ou algo do campo espiritual. Uma amizade que surgiu na minha vida em 2022 por meio da residência e que, desde o primeiro minuto, admirei imensamente. Sábia, desenvolta, racional, mas sem se perder da criatividade que lhe é peculiar.
Júlia Coragem.
Nos aproximamos por meu interesse em Gastão Wagner, que só ela conhecia; admirei-a profissionalmente pelo mestrado na Unicamp e por seu jeito incentivador de me ajudar a dar novos passos. Mas posso dizer que fomos conectadas só a partir da viagem à Fortaleza.
Dividimos um quarto. Dividimos muito das nossas vidas.
Experienciamos juntas oficinas de orientação parental e falamos sobre os nossos pais.
E, quatro dias depois de voltarmos da viagem, há o falecimento abrupto do seu pai.
Repentina como uma estrela cadente.
Não sei dizer se isso tem algum significado, mas posso afirmar que o seu afeto à ele ficou gravado em mim também. Não esquecerei de você dizendo "se hoje sou questionadora assim, é porque meu pai nunca interrompeu meus questionamentos". E eu sei compreender bem: hoje você é mestranda e isso é por ele.
Também sei compreender que em Júlia tem Laércio. E em Bárbara tem Júlia, logo, também tem Laércio.
Quando soube do óbito senti, em mim também, uma perda.
Sinta-se abraçada, "Julinha". Que essa sua dor seja ressignificada o mais breve possível.
Tenha certeza de que Laércio cumpriu sua tarefa por aqui: ele tem uma das filhas mais corajosas, amáveis e humanas do mundo.
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